Hospital Dona Helena alerta para riscos de doenças após chuvas intensas e alagamentos
O aumento do volume de chuvas e o risco de alagamentos acendem um alerta para a saúde da população, especialmente na região Sul do Brasil.
Em Joinville, cidade conhecida pela frequência das precipitações, os cuidados precisam ser redobrados diante da possibilidade de episódios de chuva intensa associados ao fenômeno El Niño.
A atenção deve continuar mesmo depois que a água baixar, já que o contato com água contaminada e as condições deixadas pelas inundações podem favorecer o surgimento de doenças infecciosas.
A Emergência do Hospital Dona Helena alerta para os riscos de enfermidades como leptospirose, dengue, hepatite A e gastroenterites, além de infecções de pele, complicações em ferimentos e problemas respiratórios associados à umidade e ao mofo.
Segundo a coordenadora clínica da Emergência do Dona Helena, a médica Luana Garcia Ferrabone, a prevenção e o reconhecimento dos primeiros sintomas são fundamentais para evitar complicações.
“A água das enchentes pode estar contaminada por microrganismos capazes de provocar doenças. Além disso, os riscos à saúde não desaparecem quando a água baixa. Algumas infecções podem levar dias ou até semanas para apresentar sintomas, por isso é importante estar atento e informar ao profissional de saúde se houve contato com água de alagamento”, orienta a médica.
Leptospirose exige atenção após contato com água de enchentes
Uma das principais preocupações em períodos de chuva intensa é a leptospirose, infecção causada por uma bactéria presente na urina de animais infectados, especialmente ratos. Em situações de alagamento, a bactéria pode contaminar a água e a lama, penetrando no organismo por meio da pele, inclusive quando não há ferimentos aparentes, ou pelas mucosas.
Os sintomas mais comuns incluem febre, dor de cabeça, mal-estar e dores musculares, especialmente nas panturrilhas. As manifestações podem surgir até 30 dias após a exposição.
A orientação é procurar avaliação médica diante de febre ou outros sintomas após o contato com água de enchente, mesmo que a exposição tenha ocorrido dias antes. A informação sobre esse contato é importante para orientar a investigação e o tratamento.
Nos casos graves, podem ocorrer pele e olhos amarelados, redução da quantidade de urina, falta de ar e sangramentos, sinais que exigem atendimento imediato.
Água e alimentos contaminados podem transmitir outras doenças
As enchentes também aumentam o risco de gastroenterites, que provocam diarreia, vômitos e cólicas abdominais, e de hepatite A, uma infecção viral que pode ser transmitida pelo consumo de água ou alimentos contaminados.
Nas infecções intestinais, o principal risco é a desidratação, especialmente entre crianças pequenas e idosos. Vômitos persistentes, dificuldade para ingerir líquidos, fraqueza intensa, sangue nas fezes e redução importante da urina são sinais de alerta.
Na hepatite A, os sintomas podem incluir cansaço intenso, náuseas, dor abdominal, urina escura e coloração amarelada da pele e dos olhos.
A médica também chama a atenção para o risco de infecções de pele e complicações em ferimentos contaminados, incluindo o tétano. Feridas com vermelhidão progressiva, inchaço, secreção ou febre precisam ser avaliadas por um profissional de saúde.
Outro cuidado envolve o aumento da umidade e a presença de mofo em ambientes atingidos pelas chuvas, fatores que podem agravar problemas respiratórios. Durante as inundações, também é necessário redobrar a atenção com animais peçonhentos, que podem procurar abrigo em residências e outros locais secos.
Dengue: atenção aos sinais de agravamento
O acúmulo de água após as chuvas favorece a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. Por isso, eliminar recipientes com água parada continua sendo uma medida essencial de prevenção.
Entre os sintomas da doença estão febre alta, dores no corpo e dor atrás dos olhos. No entanto, um aspecto importante é que os sinais de agravamento podem surgir justamente quando a febre começa a diminuir.
Dor abdominal intensa, vômitos persistentes, tontura, desmaios e sangramentos são sinais de alerta que exigem avaliação médica imediata.
Quando procurar atendimento médico?
Febre, dor no corpo e mal-estar podem ser confundidos com sintomas de uma virose comum. Por isso, o histórico de exposição à água de enchentes ou de permanência em ambientes atingidos pelas chuvas deve ser informado durante a avaliação médica.
De maneira geral, falta de ar, sangramentos, desmaios, confusão mental, redução importante da urina ou piora rápida do estado de saúde são sinais de gravidade e exigem atendimento imediato. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas merecem atenção especial.
Conforme a coordenadora clínica da Emergência do Dona Helena, Luana Garcia Ferrabone, o atendimento precoce permite identificar a causa dos sintomas e iniciar as medidas adequadas antes que o quadro evolua para complicações.
Na suspeita de leptospirose, por exemplo, o médico pode indicar o início de antibióticos com base na avaliação clínica, sem necessariamente aguardar a confirmação laboratorial. Já nos casos de diarreia e vômitos, a reposição adequada de líquidos ajuda a prevenir a desidratação. Na dengue, a hidratação e o acompanhamento médico são importantes para identificar possíveis sinais de agravamento.
“A principal orientação é não esperar que os sintomas se agravem para procurar ajuda. Quem apresentar febre ou outros sinais de doença após contato com água de enchente deve buscar avaliação médica e relatar essa exposição, mesmo que ela tenha ocorrido vários dias antes”, reforça Luana.
Nem todo quadro leve exige atendimento em uma emergência hospitalar. Pessoas com sintomas leves e sem sinais de gravidade podem procurar uma unidade básica de saúde ou um serviço de pronto atendimento, conforme a disponibilidade local. Diante de sinais de alerta, porém, a avaliação deve ser imediata.
Prevenção continua mesmo depois que a água baixa
Algumas medidas simples ajudam a reduzir os riscos à saúde durante períodos de chuvas intensas e alagamentos:
Evite o contato com água de enchentes: não atravesse áreas alagadas desnecessariamente e mantenha crianças e animais domésticos afastados desses locais.
Proteja-se durante a limpeza: se a atividade for inevitável, utilize botas e luvas impermeáveis e evite o contato direto com a água e a lama.
Consuma água segura: utilize água potável e, quando houver dúvida sobre sua qualidade, siga as orientações das autoridades sanitárias para o tratamento antes do consumo.
Descarte alimentos atingidos pela inundação: não consuma produtos que tenham entrado em contato com a água da enchente, mesmo que a embalagem pareça intacta.
Elimine a água parada: verifique quintais, calhas, vasos, recipientes e outros locais que possam acumular água e servir de criadouros para o mosquito da dengue.
Mantenha a vacinação em dia: confira especialmente a situação vacinal contra o tétano e procure orientação sobre a necessidade de reforço em caso de ferimentos.
Tenha cuidado com ambientes úmidos: durante a limpeza e a recuperação de locais atingidos, evite a exposição à lama e ao mofo e utilize proteção adequada.









